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quinta-feira, 16 de março de 2017

Walt Whitman (1819 - 1892)

Desconhecido que passas! Não imaginas o tempo que faz desde que te contemplo,
Deves ser aquele por quem tenho procurado, ou aquela por quem tenho procurado,
(tudo se me revela como um sonho,)
Certamente terei já vivido uma vida feliz a teu lado,
Tudo relembro ao passarmos flutuantes um pelo outro, transitórios, afectivos,
puros, amadurecidos,
Cresceste comigo, foste um rapaz em mim, ou uma rapariga em mim,
Comi e dormi contigo, o teu corpo tornou-se não apenas teu, nem o meu corpo
apenas meu.
Enquanto passas, dás-me o prazer dos teus olhos, cara, corpo — em troca, ficas com a
minha barba, peito, mãos.
Não falarei contigo — pensarei em ti quando me sentar sozinho, ou quando acordar a meio da noite.
Esperarei por ti — não duvido de que nos encontremos novamente,
Pois farei para te não perder.

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Passing stranger! you do not know how longingly I look upon you,
You must be he I was seeking, or she I was seeking, (it comes to me as of a dream,)
I have somewhere surely lived a life of joy with you,
All is recall’d as we flit by each other, fluid, affectionate, chaste, matured,
You grew up with me, were a boy with me or a girl with me,
I ate with you and slept with you, your body has become not yours only nor left my body 
mine only,You give me the pleasure of your eyes, face, flesh, as we pass, you take of my beard,
breast, hands, in return,
I am not to speak to you, I am to think of you when I sit alone or wake at night alone,
I am to wait, I do not doubt I am to meet you again,
I am to see to it that I do not lose you.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Elizabeth Bishop (1911 – 1979)

Uma Arte

A arte de perder não é difícil de aprender
tanto parece existir com o intento
de desaparecer que, se desaparecer, não é
desgraça alguma.

Aprende a perder algo todos os dias. Aceita a preocupação agitada
de perder as chaves de casa, das horas mal passadas.
A arte da perder não é difícil de aprender.

Depois aprende a perder com mais fulgor, maior velocidade.
Sítios, e nomes, e lugares que gostavas de ter
conhecido. Nada disto será uma desgraça.

Perdi o relógio da minha mãe. E mais! A minha última casa,
ou, pelo menos, aquela que mais durou de três que amava.
A arte de perder não é difícil de aprender.

Perdi duas cidades encantadoras. E até mais do que isso:
reinos inteiros que me pertenciam, dois rios, um continente.
Sinto saudades deles, mas não foi nenhuma desgraça.

— mesmo ter-te perdido, a ti, (a tua voz de brincadeira, 
uma das coisas que eu amava) não o devo omitir. É claro
que a arte de perder não é difícil de aprender
apesar de parecer (aprende!), de parecer uma desgraça. 


Resultado de imagem para elizabeth bishop

One Art

The art of losing isn’t hard to master; 
so many things seem filled with the intent 
to be lost that their loss is no disaster. 

Lose something every day. Accept the fluster 
of lost door keys, the hour badly spent. 
The art of losing isn’t hard to master. 

Then practice losing farther, losing faster: 
places, and names, and where it was you meant 
to travel. None of these will bring disaster. 

I lost my mother’s watch. And look! my last, or 
next-to-last, of three loved houses went. 
The art of losing isn’t hard to master. 

I lost two cities, lovely ones. And, vaster, 
some realms I owned, two rivers, a continent. 
I miss them, but it wasn’t a disaster. 

—Even losing you (the joking voice, a gesture 
I love) I shan’t have lied. It’s evident 
the art of losing’s not too hard to master 
though it may look like (Write it!) like disaster.



quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

James Wright (1927 – 1980)

Bênção

Saindo da estrada que leva a Rochester, no Minnesota,
A luz crepuscular demarca ténue a sua linha na relva
E nos olhos daqueles dois cavalos indígenas
Escurecidos pela sua mansidão.
Surgiram de entre os salgueiros alegremente
Para nos saudar, a mim e ao meu amigo.
Saltámos o arame farpado para entrar no campo de pasto
Onde estiveram todo o dia sozinhos.
Estremecem nervosamente de mal conseguir conter a felicidade
Da nossa visita.
Curvam-se timidamente como cisnes na água. Como gostam um do outro.
Não existe solidão como a deles.
No seu lar começam uma vez mais
A mastigar na escuridão os tufos primaveris.
Gostaria de envolver os meus braços à volta daquele que é o mais esbelto,
Pois passou por mim
E aconchegou a cabeça na minha mão.
É preta e branca,
A sua crina escorre selvagem pela fronte,
E a brisa leve impele-me a acariciar a sua orelha longa
Tão delicada como a pele na cintura de uma jovem mulher.
De súbito percebo
que abandonasse eu 
o meu corpo brotaria
Em flores. 




A Blessing

Just off the highway to Rochester, Minnesota, 
Twilight bounds softly forth on the grass. 
And the eyes of those two Indian ponies 
Darken with kindness. 
They have come gladly out of the willows 
To welcome my friend and me. 
We step over the barbed wire into the pasture 
Where they have been grazing all day, alone. 
They ripple tensely, they can hardly contain their happiness   
That we have come. 
They bow shyly as wet swans. They love each other. 
There is no loneliness like theirs.   
At home once more, 
They begin munching the young tufts of spring in the darkness.   
I would like to hold the slenderer one in my arms, 
For she has walked over to me   
And nuzzled my left hand.   
She is black and white, 
Her mane falls wild on her forehead, 
And the light breeze moves me to caress her long ear 
That is delicate as the skin over a girl’s wrist. 
Suddenly I realize 
That if I stepped out of my body I would break 
Into blossom.